A Secretária Regional da Juventude, Habitação e Emprego anunciou hoje o reforço do investimento do Governo dos Açores no despiste e orientação vocacional e profissional de jovens em idade escolar, em linha com a proposta estratégica da Agenda Regional para a Qualificação Profissional (ARQP) – Valorizar os Açorianos – Açores 2030.
Maria João Carreiro, que falava na sessão de encerramento do seminário “Qualificações 2036”, promovido pelo Conselho Económico e Social dos Açores – CESA, em Ponta Delgada, antecipou uma reforçada centralidade do Gabinete de Orientação Vocacional e Profissional – GOVP, criado em 2022, junto dos jovens açorianos em idade escolar.
“Através do GOVP, vão ser reforçadas e aprofundadas as sessões de despiste e orientação vocacional e profissional dos jovens em idade escolar, sensibilizando-os para a elaboração de um projeto profissional individual, uma etapa essencial para evitar a entrada destes jovens na circunstância NEET”, explicou.
Conforme anunciou a governante esta terça-feira, em conferência de imprensa para apresentação dos resultados intermédios da ARQP, a taxa de jovens NEET nos Açores passou de 19,3% em 2020 para 12,1% em 2024, quando a meta para 2025 fixada na ARQP era de 15%, o que representa uma “evolução muito positiva” para a Região.
A ARQP fixa, entre outros objetivos, a implementação de medidas e ações para a redução da taxa dos jovens NEET, através de novos modelos de orientação vocacional precoce.
“A partir dos primeiros anos da idade escolar, os jovens açorianos têm hoje acesso a mais medidas articuladas de Juventude [Direção Regional da Juventude] e de Qualificação [Direção Regional de Qualificação Profissional e Emprego], que são oportunidades para o despiste vocacional e a integração socioprofissional”, enalteceu.
Através do GOVP, que “tem sido essencial” para trabalhar respostas personalizadas de qualificação e emprego para jovens NEET, desempregados de longa duração e outros públicos com maior necessidade de acompanhamento, já foram desenvolvidas 2.415 interações individualizadas e 420 sessões em grupo com desempregados inscritos.
Maria João Carreiro sublinhou, ainda, que as políticas públicas de qualificação e emprego “operam hoje num quadro profundamente diferente de há cinco, 10, 15 ou 20 anos”, sinalizando que a Região viu diminuir em mais de um quarto a sua população jovem entre os 15 e os 34 anos de idade, passando de 78.469 para 57.434 pessoas.
“Há menos jovens na estrutura demográfica regional, percursos escolares mais longos e transições mais exigentes entre educação e trabalho”, constatou.
Num contexto em que o abandono precoce de educação e formação recuou fortemente face aos níveis de há 20 anos, a Região regista hoje máximos históricos de população empregada e mínimos históricos de população desempregada, vincou.
Segundo a Secretária Regional, a Região “passou de um modelo fortemente assente em medidas ocupacionais e em vínculos precários, para um modelo cada vez mais orientado para a qualificação, a contratação estável e a qualidade do emprego”, em resposta aos desafios conjunturais e estruturais de formação e emprego que ainda persistem.
Desde 2021, das mais de 7.200 colocações nos apoios à contratação, 4.892 beneficiaram jovens, 87% dos quais com contratos sem termo.
“A expressão da mudança no perfil da contratação apoiada é inequívoca: se em 2017 apenas 1,1% das colocações correspondiam a contratos sem termo, em 2025 esse valor atinge 100%”, rematou.
Maria João Carreiro considerou, ainda, que a iniciativa do CESA “Ação Pública Articulada na Educação e Formação Profissional dirigida a público suscetível de fragilidades” reforça a importância do caminho que a Região está a seguir desde 2021, num processo para a qual o Governo dos Açores conta com o contributo e a participação do CESA.

