“Europa precisa de descentralizar-se para criar novas centralidades”, defende José Manuel Bolieiro

Notícias dos Açores

O Presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, defendeu que a União Europeia deve reforçar a sua dimensão atlântica e descentralizar a sua visão estratégica para criar “novas centralidades” que reforcem a sua competitividade, resiliência e relevância geopolítica no mundo.

A intervenção decorreu na sessão de abertura da IX New Space Atlantic Summit, conferência anual organizada pela Agência Espacial Portuguesa, que decorre no Técnico Innovation Center, em Lisboa.

Subordinada ao tema “A Arquitetura do Poder: Geopolítica na Segunda Era da Exploração Espacial”, a edição de 2026 reúne personalidades nacionais e internacionais da indústria, da academia e do setor público para debater os novos paradigmas da soberania, da cooperação e da segurança no domínio do espaço, num momento em que o setor espacial se afirma como um pilar do desenvolvimento socioeconómico e da resiliência da Europa.

O lider do executivo açoriano sustentou que “a Europa terá mais futuro se se considerar uma Europa Atlântica”, defendendo que o Atlântico representa um ativo estratégico para afirmar o espaço europeu no plano geopolítico, geoeconómico, científico e tecnológico.

“A Europa precisa de gerir as oportunidades dirigindo-se para o Atlântico”, afirmou, sublinhando que é nesta geografia que se concentram novas possibilidades de desenvolvimento ligadas à economia do conhecimento, à investigação científica, à inovação tecnológica e às economias do futuro.

O governante açoriano reiterou a visão de transformar os Açores “de uma Região de necessidades numa Região de oportunidades”, considerando que esta geração tem condições para liderar essa mudança.

Segundo explicou, essa transformação passa por “valorizar integralmente o território açoriano”, não apenas na sua dimensão terrestre, mas também nas suas componentes marítima, oceânica e espacial, colocando a ciência, a tecnologia e a investigação ao serviço do aproveitamento sustentável dos recursos e da criação de novas oportunidades económicas.

José Manuel Bolieiro alertou igualmente para a necessidade de a União Europeia atualizar a sua visão estratégica, considerando que continua excessivamente centrada nas fronteiras terrestres de leste e em modelos económicos do passado.

“Precisamos de criar, face a este histórico, uma descentralização geradora de novas centralidades”, afirmou, defendendo que uma Europa mais voltada para o Atlântico ganhará maior relevância geopolítica, geoestratégica e económica no contexto internacional.

Nesse quadro, destacou o papel dos Açores como plataforma privilegiada de ligação entre a Europa e o continente americano, reforçando o relacionamento transatlântico e projetando a União Europeia para o oceano que considera decisivo para o futuro.

O Presidente do Governo dos Açores defendeu ainda a criação de instituições europeias mais sensíveis à dimensão atlântica e espacial, sustentando que o investimento público nestas áreas deve assumir um papel estratégico para o futuro próximo da União Europeia.

Na sua intervenção, salientou igualmente que as grandes transições em curso, a climática, a energética e digital, dependem, em larga medida, da valorização do Atlântico e do investimento em ciência, tecnologia, investigação e gestão do conhecimento.

Para José Manuel Bolieiro, reconhecer o Atlântico como um “ativo estratégico europeu” é uma condição essencial para reforçar a prosperidade, a segurança e a competitividade da União Europeia nas próximas décadas.

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